Cansei de me esconder no caderno de papel. Se eu posso utilizar um caderno virtual, por que não? Se podem haver outros melancólicos e outros românticos para partilhar o meu sentimento, por que me esconder dentro do HD de um computador que (convenhamos) nem é tão espaçoso assim?
O caderno de Joana existe há um bocado de tempo, mais tempo do que consigo me lembrar. Ele foi sendo construído aos poucos, ao longo dos anos, e conforme os sentimentos implorassem para sair de dentro de um mero organismo e permear, primeiro as páginas do tal caderno e, posteriormente, nessa era virtual, os arquivos de uma pastinha nos "Meus Documentos".
Ele é um caderno cheio, mas nunca completo. Sempre haverá lugar para mais um desabafo, para mais uma criaçao. Aqui, no blog, o caderno apenas começou a existir. Por isso, cada "página" será cuidadosamente selecionada, de acordo com o dia, o momento, o sentimento. Cada
post pode tanto configurar um texto inédito, quanto um poema escrito há mais de dez anos. Desde que Joana julgue pertinente postá-lo.
Porque todos que escrevem (e logo, leêm), hão de concordar que cada leitura é uma nova descoberta. É impossível reproduzir sensações ao ler um poema pela segunda, terceira, ou milésima vez. Às vezes faço questão de comentar sobre algo que eu mesma escrevi, só para reler alguns anos (ou meses, dias, até minutos) depois e constatar que a minha percepção acerca daquilo já não é igual.
Somos eternos mutantes, numa inconstância quase (paradoxalmente) constante. E nessa metamorfose mora a beleza. Nosso sábio Raul já teria dito isso, mas eu ainda tenho muito o que aprender... minhas opiniões formadas são fortes, embora não sobre tudo....