quarta-feira, 15 de julho de 2009

Verso Livre

Gosto de poemas curtos
rimados e ritmados
versados em redondilhas
e rasgados em amores vãos

Ainda que a mão agora
ponha-se a livre versar
reafirmo e não pretendo rimar:

curtos e ritmados
por vezes incompreensíveis
como música infantil
como paixões de verão.

E, mesmo que assim não
poemas sempre o são.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Esperando o inesperado

Via de regra, costumamos nos preocupar sempre com o inesperado. Aliás, isso é quase um pleonasmo, uma vez que pre-ocupar pressupõe ocupar-se de algo que ainda estar por vir. Obviamente, o esperado pode acontecer, mas isso independe da nossa preocupação. Depende - e mesmo assim, apenas em uma certa medida - de nossas atitudes, nossas efetivas ocupações.

Lembremo-nos de John (Lennon), ao dizer que "life is what happens to you while you're busy making other plans." [A vida é o que nos acontece, enquanto nos ocupamos de fazer outros planos]...
Penso que, a cada novo plano, me esvaio de mais um ano.... e para quê?


Vício Natural

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Dualidade

Continuando o clima de namoro.... bom para aproveitar esse feriadão com outro alguém....
Afinal, como já dizia Beto Guedes, 1+1 é sempre mais que dois... e o Samuel Rosa completou, muito sabiamente, falando que 2-1=0. Muito louca mesmo essa matemática do amor....


Não sei mais o que é viver
sem alguém pra me amparar
Pra eu querer todo dia
(e odiar às vezes)
e pensar que sozinha
não existo mais.

Me acostumei
a ser comtemplada
com carinhos, carícias
e ofensas entre beijos
Naqueles momentos impregnados
de um amor tão paradoxal.

Já me perdi desse paradoxo.
E a dor que me restou
dói fundo só de respirar
com sua presença ou ausência

Paira, e não aterrissa nunca
a vontade, maior que o desejo
de um pra sempre mais que perene

Meu amor,
como o de todos que amam (acredito)
sucumbiu à inviabilidade
de ser incondicional.

E choro, todos os dias,
pelo motivo que houver.
Mas, sempre, pela limitação do infinito.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Combina

E, para completar, já em clima de dia dos namorados....

Combina. Não sei explicar porque, mas combina. Desnecessário haver razão. Igual a feijão com arroz, jeans e camiseta, praia com sol ou qualquer outra combinação que se queira inventar (eu nunca fui, assim, muito fã de queijo com goiabada).
Para combinar, basta existir. E não se pode julgar. Mesmo que descombine, às vezes. Quando, por algum motivo, se sai do contexto. Não se demora, entretanto, a perceber que, na verdade, combinava. E que não precisa ser perfeito – é melhor que seja de verdade.
Combina comigo esse seu jeito que me é tão estranho, e combina com o meu jeito essa sua loucura tão normal.
Por ora, é o suficiente.

O medo de amar

(Depois de tanto tempo, eis porque se deve vencê-lo...)

Tentei escrever um poema
Pra te dar, como havias pedido
Meus versos, porém, não vingaram
Pensei já ser tempo perdido

Foi quando me pus a ouvir
Aquela canção de outrora
Saudade, me fê-la sentir
E posso dizer-te agora:

O medo de se ter coragem
É o mesmo que o medo de amar
Não saber o que é liberdade
Não a querer controlar.

Mas tanto medo que tenho,
É por já muito ter sido
Valente, e no entanto,
Nunca esse amor ter vivido.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Apresentando

Cansei de me esconder no caderno de papel. Se eu posso utilizar um caderno virtual, por que não? Se podem haver outros melancólicos e outros românticos para partilhar o meu sentimento, por que me esconder dentro do HD de um computador que (convenhamos) nem é tão espaçoso assim?

O caderno de Joana existe há um bocado de tempo, mais tempo do que consigo me lembrar. Ele foi sendo construído aos poucos, ao longo dos anos, e conforme os sentimentos implorassem para sair de dentro de um mero organismo e permear, primeiro as páginas do tal caderno e, posteriormente, nessa era virtual, os arquivos de uma pastinha nos "Meus Documentos".

Ele é um caderno cheio, mas nunca completo. Sempre haverá lugar para mais um desabafo, para mais uma criaçao. Aqui, no blog, o caderno apenas começou a existir. Por isso, cada "página" será cuidadosamente selecionada, de acordo com o dia, o momento, o sentimento. Cada post pode tanto configurar um texto inédito, quanto um poema escrito há mais de dez anos. Desde que Joana julgue pertinente postá-lo.

Porque todos que escrevem (e logo, leêm), hão de concordar que cada leitura é uma nova descoberta. É impossível reproduzir sensações ao ler um poema pela segunda, terceira, ou milésima vez. Às vezes faço questão de comentar sobre algo que eu mesma escrevi, só para reler alguns anos (ou meses, dias, até minutos) depois e constatar que a minha percepção acerca daquilo já não é igual.

Somos eternos mutantes, numa inconstância quase (paradoxalmente) constante. E nessa metamorfose mora a beleza. Nosso sábio Raul já teria dito isso, mas eu ainda tenho muito o que aprender... minhas opiniões formadas são fortes, embora não sobre tudo....

Exórdio

(E assim começou tudo...)

Que a poesia seja resgatada
E os olhares tímidos percebidos
Que sorrisos sinceros sejam colhidos
E que seja a paixão sacramentada

Pois deve haver nos corações
Daqueles de amar mais tolhidos
A dor de dissabores vividos
Que os priva de tais emoções

Mas sempre que ignorada,
A mágoa retorna voraz
Sabendo que será confrontada.

A poesia, no entanto, é sagaz
Ao permitir híbridas sensações
E mostrar do que o amor é capaz.